Dia da Mulher: O sim das mulheres para servir à Igreja e à sociedade

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Dia da Mulher: O sim das mulheres para servir à Igreja e à sociedade

 

O Sim de Maria, a mãe de Jesus, parece ecoar no coração de cada ser humano que tem a sua experiência com Deus. Maior exemplo de mulher, que, com a sua fé, inspira a vida, Maria deixou um traço de Deus em cada um de nós. Apesar de ter vivido há mais de dois mil anos, suas virtudes ainda refletem na vida de muitas mulheres nos dias atuais. Maria, com sua simplicidade e singeleza, ensina a ser batalhadora, é aquela que tem um olhar de esperança diante de tantas lutas e sofrimentos. Escolhida por Deus para conceber Jesus e dar luz à Vida, Maria nos passa o verdadeiro valor da dignidade da maternidade, pois esteve com seu Filho até seus últimos passos.

Desde 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher. A data recorda o caminho sofrido de lutas pelos seus direitos e também o resultado das conquistas alcançadas por elas. 

Com esse ensinamento de Maria, queremos neste mês dedicado às mulheres abraçar também a todas as mulheres que são mães, esposas, donas de casa, trabalhadoras, lideranças, muitas vezes exercem tripla jornada, sem deixar de renovar sua fé a cada dia. Todas merecem ser lembradas, muitos são os exemplos, mas deixamos aqui os testemunhos de algumas mulheres que dedicam seu tempo e exercem papéis importantes na Igreja e na Sociedade.

 Acompanhe os depoimentos:

“São muitas as mulheres com nomes, ou no anonimato, que contribuíram ou contribuem com a história do povo, na vida cotidiana e em muitos relatos também estão escritos na Bíblia. É maravilhoso saber que as mulheres mais simples do povo, como por exemplo Sefra e Fua, as duas parteiras que usaram estratégias femininas para quebrar com o poder de morte contra o povo hebreu. Cito Maria Madalena que foi a primeira a encontrar com o ressuscitado e anunciar aos outros. Lembro nossas mães, avós e bisavós que foram e são guardiãs das sementes crioulas, garantindo uma boa alimentação. São inúmeros testemunhos de mulheres que sofreram, doaram vidas, lutaram e continuam lutando por dignidade e inclusão social. Na Igreja, a mulher está presente desde o arranjo, até a pessoa que preside a celebração, pois as mesmas exercem o cuidado, a educação e a formação. Atuam nas pastorais, serviços e ministérios. Apesar das desigualdades diante de uma sociedade onde ainda predomina o patriarcalismo, o papa Francisco reconhece que a mulher é protagonista da escuta, do cuidado, de uma Igreja em saída. Com esperança e entusiasmo, as mulheres continuam sempre ativas”.

Ana Maria Hüning (Pastoral da Criança, Apostolado da Oração, ministra e mãe do padre Eleandro Hüning)

“Em todos esses anos de trabalho na Casa de Formação da Diocese, (desde 1989, com uma breve pausa e retorno em 2012, até o momento), observei o trabalho das mulheres dentro da Igreja. Vejo como é importante e como são muitas as mulheres que se dedicam. Elas fazem o trabalho mais social, a catequese, a liturgia e muitas outras atividades ligadas aos movimentos da Diocese e o trabalho é bem feito, com carinho, com amor. Acredito que as mulheres são a base da nossa Igreja de hoje. Parabéns a todas nós mulheres nesse Dia da Mulher. Que consigamos continuar fazendo desse mundo um pouco melhor, com nossa atenção, nosso carinho, nossa dedicação e amor por tudo o que fazemos”.

Elisabete Teresinha Suski (responsável pelo Centro de Formação João Paulo II)

“A presença da mulher na Igreja vem de uma raiz, de nossos antepassados que vem permeando de geração em geração essa alegria de estar junto de Deus. Eu me lembro que quando era criança às 18h, minha avó reunia todos os netos para rezar o Santo Terço. O respeito e o carinho pela doutrina e pelos sacramentos, é algo que jamais vamos esquecer e foram repassados por uma mulher. Hoje percebemos que o sacramento do matrimônio não está tão fortalecido, por outro lado, a alegria de casamentos duradouros, traz na mulher uma motivação para que ela esteja cuidando da sua família e ao mesmo tempo servindo à Igreja. Hoje, a proporção de mulheres na Igreja é bem maior, que de homens. Elas trazem a família para Igreja, elas partilham o que fazem, pelo que se dedicam e o que ensinam, no testemunho de vida, na fidelidade de estar na Igreja servindo e também adquirindo papéis de liderança que possam estar ajudando os outros irmãos a terem uma direção. A sociedade precisa de homens e mulheres, mas as mulheres tem essa dedicação e esse empenho até mesmo para desenvolver trabalhos que às vezes não tem uma visão ampliada no homem. Não que seja uma discriminação, mas nós mulheres, pela experiência de vida, como donas de casa, de mulheres que trabalham fora, de lideranças, conseguimos ter uma visão ampliada de como a sociedade pode nos ajudar e, assim, também conseguimos ensinar a sociedade a se dispor a ter caridade”.

Ana Lucimar dos Santos Dallelaste (Coordenadora da Renovação Carismática Católica)

“Ser mulher é contribuir para uma sociedade e uma Igreja de acordo com o coração e a imagem de Deus. É desempenhar o ministério que o Senhor designou, quer seja no lar, na Igreja ou na sociedade. Todas as mulheres devem ser reconhecidas pelos seus valores, por serem guerreiras e lutadoras, por demonstrarem que além de sua dignidade enquanto pessoa, também devem ser valorizadas por sua preciosa contribuição à família, à cultura, à política, à ciência e à economia. Mulheres que não buscam apenas as rosas do caminho, mas que se dispõem a semear. Como membro da Comunidade Nossa Senhora da Consolação da Paróquia São Francisco de Assis e atuante no serviços, ministérios e pastorais da Diocese, percebo a importância do papel desempenhado pelas mulheres em diversas atuações na Igreja, são modelos de fé, perseverança e confiança no Senhor. O exemplo de Maria com suas disposições de escuta, acolhimento, humildade, fidelidade, louvor e espera nos inspiram a viver as mesmas atitudes com especial intensidade e naturalidade. Destaco também a gratidão de exercer minha profissão de contadora dentro da instituição religiosa, assim como, tantas outras mulheres que estão buscando seu espaço, enfrentando as desigualdades e obstáculos, mas que acima de tudo buscam anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, desempenhando sua vocação e missão na Igreja. Que neste dia 8 de março e em todos os dias, na sociedade e na Igreja sempre existam espaços de acolhida, valorização e fortalecimento da mulher!”

Luiza Schwartz Branco (Comissão Diocesana de Liturgia, contadora da Diocese de Caçador e ministra da Paróquia São Francisco de Assis)

 “A Campanha da Fraternidade 2021, nos traz o desafio do diálogo com fraternidade. Dialogar nunca foi fácil, sempre foi e será desafiador. Entre muitos assuntos que somos desafiados e desafiadas a dialogar está a violência contra a mulher. O Brasil registrou 648 feminicídios no primeiro semestre de 2020, 1,9% a mais que no mesmo período de 2019, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Isso nos mostra que homens e mulheres precisam aprender e dialogar muito sobre respeito. O dia 8 de março é resultado de muita luta, de mulheres que no passado foram mortas em busca de direitos que hoje usufruímos: como licença maternidade, direito trabalhistas entre outros. Porém, quando lemos que o número de feminicídios aumentou de forma assustadora, nos damos conta de que muito diálogo, respeito, fraternidade e compromisso são necessários. Como cristãos e cristãs não podemos colocar “panos quentes” num tema tão importante. A Campanha da Fraternidade vem nos mostrar que devemos falar de Cristo e isso incluiu muitas vezes temas polêmicos.  Sou pastora ordenada da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), há mais de 10 anos. Tenho muito orgulho de ser ministra, mas já pensei em desistir. Minha primeira paróquia foi muito difícil, fui discriminada simplesmente por ser mulher e lá permaneci por apenas nove meses, não aguentei. Na segunda tive a mesma dificuldade, mas consegui completar os três anos. A paróquia Rio das Antas é minha quarta experiência, mas é a primeira onde me sinto acolhida, respeitada e aceita como ministra ordenada da IECLB. Sou grata pela parceria de homens e mulheres que caminham comigo e com essa diversidade e diálogo conseguimos fazer uma Igreja de Jesus Cristo melhor”.

Pa. Ms. Francinne de O. Kerkhoff (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB))

 

 

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