Mulher – História e Lutas

Mensagem de Dom Severino Clasen para o Dia Internacional da Mulher
8 de março de 2020
Microrregião de Santa Cecília tem novo coordenador
11 de março de 2020

Mulher – História e Lutas

Dia Internacional da Mulher: um dia de luta


Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20. Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo – aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Elas começaram uma campanha dentro do movimento socialista para exigir seus direitos – as condições de trabalho delas eram ainda piores que as dos homens à época.
A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (na maioria, judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial. No entanto, há registros anteriores a esse episódio que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do movimento de trabalhadores.
Em 1913, as mulheres já protestavam pelo direito de votar nos Estados Unidos.
As origens desta data
Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros “dias das mulheres” que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York. Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho – na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16 horas por dia, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido celebrado pela primeira vez o “Dia Nacional da Mulher” americano.
Enquanto isso, também crescia na Europa o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações. “Não era uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e socialista dedicado à questão das mulheres”, explicou à BBC News Brasil a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.
“A situação da mulher era muito diferente e pior que a dos homens nas questões trabalhistas daquela época”, disse ela, que é coordenadora da USP Mulheres. A proposta de Zetkin, segundo os registros que se tem hoje, era de uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911.
Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa. O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo – 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje. Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da “mulher heroica e trabalhadora”.
Data foi oficializada em 1975
O chamado Dia Internacional da Mulher só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de Ano Internacional da Mulher para lembrar suas conquistas políticas e sociais.
“Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres”, pontuou Eva Blay. “Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental”.
No mundo inteiro, a data ainda é comemorada, mas ao longo do tempo ganhou um aspecto “comercial” em muitos lugares. O dia 8 de março é considerado feriado nacional em vários países, como a própria Rússia, onde as vendas nas floriculturas se multiplicam nos dias que antecedem a data, já que homens costumam presentear as mulheres com flores na ocasião. Na China, as mulheres chegam a ter metade do dia de folga no 8 de março, conforme é recomendado pelo governo – mas nem todas as empresas seguem essa prática. Já nos Estados Unidos, o mês de março é um mês histórico de marchas das mulheres.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

No Brasil, a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes é sinônimo da luta empreendida por mulheres contra a violência. A lei que leva o seu nome tornou-se salvaguarda de um contingente considerável de brasileiras. Mas, a despeito de ter entrado em vigor há quase 13 anos, o instrumento legal não tem sido suficiente para frear a barbárie. Pesquisas revelam aumento do número de casos de agressões contra mulheres em todas as regiões do país, quaisquer que sejam as tipificações – da doméstica ao feminicídio.
“Realmente, está aumentando muito, mas eu percebo também que isso tem a ver com o fato de a mulher não ter procurado ajuda oficial ou porque acreditou e aceitou conversar com o agressor para discutir a relação. Como os machistas não aceitam perder aquela causa – eles têm de ter domínio sobre a mulher –, durante os encontros ela pode ser vítima de uma violência maior. É fundamental que ela procure a delegacia pedindo uma medida protetiva, denunciando que está correndo risco de morte. Nunca a mulher sofre violência drástica – a não ser em raras exceções – na primeira tentativa de feminicídio. Há todo um histórico. Quando ela chega na delegacia, vem há muito tempo sofrendo violência. Começa pela agressão psicológica e por aí vai. Falta um chamado mais forte – e a imprensa tem feito a sua parte – para que as mulheres denunciem seus agressores. Se ela sofre violência psicológica ou física, deve procurar o Centro de Referência da sua cidade, dizer que está correndo risco de morte. Se não tem nada em seu município, deve ligar no 180”, destaca Maria da Penha.
A senhora foi vítima da morosidade da Justiça. Esse quadro mudou? Que avaliação faz do papel do Judiciário e da polícia no âmbito da violência contra as mulheres? A preocupação maior que se tem é quando a mulher denuncia e o agressor não é intimado com a rapidez que satisfaça e dê segurança para a vítima. Existem várias justificativas, a começar pela alegação do aumento de denúncias e que, em razão disso, os delegados não conseguem atender as vítimas. Há atrasos em medidas protetivas que deveriam ser solicitadas pelo juiz. Acredito que deveria aumentar o número de Delegacias da Mulher para que todos os casos tivessem um trâmite mais rápido. Isso na esfera policial. Acho também que as delegacias deveriam funcionar durante a noite, nos feriados e nos finais de semana. Sabemos que isso não acontece na maioria das cidades. A situação é dramática”, explica Maria da Penha.
Em março de 2015, a Lei do Feminicídio foi aprovada. Desde então, a morte de mulheres motivadas por questões de gênero passou a ser qualificada como crime hediondo. A medida visa também diminuir os casos de feminicídio no Brasil, um dos países que mais mata mulheres no mundo. Infelizmente, três anos após a criação da lei, as taxas só aumentaram. De acordo com um levantamento realizado pelo G1, entre 2016 e 2017, houve um aumento de 6,5% nos casos de feminicídio. Só no ano passado, foram 4.473 homicídios dolosos de mulheres no Brasil. O estado que mais mata por violência doméstica e questões de gênero é Mato Grosso. A falta de denúncias também preocupa e dificulta o cumprimento da lei. O levantamento também descobriu que, em média, 12 mulheres são assassinadas por dia no país. Os criminosos? Homens que, muitas vezes, postam homenagens no Dia Internacional da Mulher e mandam flores para suas parceiras.

Fonte – Site Província Imaculada Conceição do Brasil (06.03.2020), site BBC

Leia também em protagonismo-feminino o conteúdo produzido pelo Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) com estatísticas sobre vários aspectos em que a mulher é protagonista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X