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A ação de conduzir ao mistério

Irmã Maria Aparecida Barbosa, da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, de Porto Alegre é Conselheira Geral da Congregação, no Setor de Animação Missionária, além de colaborar com a Igreja no Brasil em assessorias Bíblico-Catequéticas na formação dos catequistas e membro do Grupo de Reflexão Bíblico-catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da Comissão de Iniciação à Vida Cristã, da Arquidiocese de Porto Alegre. É, também, professora em cursos de Pós-graduação na disciplina de Catequese e Bíblia, na PUC de Goiana e na FACASC.

Assessoria – De que a Igreja precisa para viver uma catequese de Iniciação à Vida Cristã?

Irmã Aparecida – Desde 2005, com a elaboração do Diretório Nacional de Catequese, a Igreja no Brasil tem intensificado o trabalho de uma catequese mais na linha da Iniciação à Vida Cristã. É preciso ser uma Igreja na contra-mão, uma Igreja de passagem do discurso para a Igreja da prática, da Igreja da sacramentalização para a Igreja da iniciação, para a Igreja discípula-missionária de Jesus Cristo. Essa Igreja exige uma mudança de mentalidade, de estrutura, de método, por ser uma Igreja em saída, como exalta o papa Francisco, uma Igreja, que à luz da pedagogia de Jesus Cristo vai ao encontro das pessoas, sendo espaço de proximidade, de acolhida, de anúncio, de misericórdia, enfim a Igreja do abraço, do toque, necessidade primária das pessoas hoje. Uma Igreja que olha para seus membros com carinho.

Assessoria – E o papel do catequista, nessa Igreja?

Irmã Aparecida – Ele, ela deve ter a consciência de que é catequista da Igreja de Jesus Cristo, ou seja, é um ministro qualificado da Palavra de Deus. Como catequista não fala em seu nome, fala em nome de uma ação eclesial, pois a catequese faz parte de um ministério eclesial. O catequista sendo anunciador da Palavra, na comunidade, necessita estar formado, conhecer o método da Iniciação Cristã. Primeiro ele deve ter contato com a Palavra de Deus; segundo deve amar a comunidade, ou seja, pertence a Cristo, pertence a comunidade, terceiro deve ir ao encontro dos catequizandos, apresentando uma catequese capaz de tocar o coração, ensinando mais que doutrina e sacramento, falando de Jesus, conduzindo os catequizandos no mistério da fé e inserindo-os na comunidade cristã.

Assessoria – Neste contexto o que significa, realmente, ser iniciado na vida cristã?

Irmã Aparecida – Ser iniciado na vida cristã é partir de uma busca, de um desejo. Requer pertencer a Jesus Cristo. Significa retornar às fontes, à Igreja do início do cristianismo, em que os cristãos eram formados, preparados e conduzidos a Jesus. Nós nos distanciamos desta meta, nós trabalhamos mais com a preparação aos sacramentos, porém, a Igreja da Iniciação é aquela que não enfatiza tanto a formação dos catequizandos em função dos sacramentos, mas em função de ser discípulo de Jesus Cristo, membro de uma comunidade e missionário.

Assessoria – A mistagogia é um tema importante para a Iniciação Cristã. O que significa essa palavra?

Irmã Aparecida – O catequista é um grande mistagogo, pois tem a função de desenvolver a catequese como um encontro profundo da Palavra, capaz de despertar no catequizando o desejo de conhecer Jesus Cristo e pertencer a Ele, portanto, mistagogia é a ação de conduzir no mistério da fé, no encontro com Jesus Cristo.

Assessoria – A senhora teve contato com o Projeto Diocesano de Iniciação à Vida Cristã. Quais suas impressões sobre ele?

Irmã Aparecida – A Diocese de Caçador, como outras dioceses do Brasil, buscam dar passos em um projeto de renovação paroquial que passa pelo caminho da Iniciação à Vida Cristã e essa renovação só ocorrerá quando, de fato, todas as pastorais sentirem-se envolvidas, começando pela catequese que é prioridade de toda a Igreja. A Diocese está em um caminho bonito, fértil, que tem tudo para conquistar novos corações e despertar verdadeiros discípulos missionários. O primeiro passo é o projeto diocesano de renovação paroquial, que passa por um anúncio de Jesus Cristo, com mais entusiasmo e encantamento, pelo processo de conversão e mudança e pelo caminho do discipulado, sendo de fato, a passagem da Igreja do sacramento para a Igreja missionária.

Assessoria – Por fim, qual a sua mensagem aos catequistas da Diocese?

Irmã Aparecida – Sou grata pela oportunidade de estar na Diocese, colaborando com a reflexão sobre mistagogia, a inserção na vida da comunidade. Aos catequistas: minha gratidão, minha comunhão. Não tenham medo de avançar! A Iniciação à Vida Cristã é o caminho! E a forma de acertar nesta estrada é se colocar nesta dinâmica da gratuidade e alegria do serviço, pois com Jesus Cristo presente entre nós, tudo acontece com maior fecundidade. Continuem entusiasmados para entusiasmar mais corações, mais pessoas para Jesus Cristo e para a comunidade.

Divanete Eloisa Bachi

Assessoria de Comunicação do Serviço de Animação Bíblico-catequética 

Foto: Arquivo Pessoal

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